eMAG: o que é e como ele deve ser seguido?

Mulher usando computador, em foto que ilustra post sobre eMAG. Reprodução: DC_Studio/Envato.
Saiba o que é o eMAG, como ele orienta a acessibilidade digital no setor público e elimina barreiras tecnológicas.

O Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG) é uma referência para a acessibilidade digital no setor público brasileiro, fortalecido pela Lei do Governo Digital, que visa eliminar barreiras e permitir que todas as pessoas usufruam das tecnologias e informações governamentais disponíveis sem restrições.  

Busca promover a inclusão digital, num contexto em que ainda há milhões de cidadãos que enfrentam obstáculos para acessar informações e serviços online.  

Por limitações físicas, sensoriais ou cognitivas, muitas pessoas encontram dificuldades na navegação e na interação com conteúdos digitais e, sem esse esforço governamental, estariam excluídas de serviços considerados essenciais. 

A acessibilidade não se trata apenas de tecnologia, mas de inclusão, cidadania e isonomia. Quando um site ou sistema é desenvolvido considerando diferentes perfis de usuários, toda a população se beneficia, desde aqueles que precisam de leitores de tela até os que necessitam de alternativas para interação sem o uso do mouse. 

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Para apoiar essa transformação digital, foram criados modelos que orientam o desenvolvimento de interfaces acessíveis.  

O eMAG é o principal desses modelos, proporcionando diretrizes para que portais governamentais sejam acessíveis e atendam às necessidades de todos os cidadãos. Siga com a sua leitura e saiba mais sobre o tema! 

O que é o eMAG? 

O Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG) é um conjunto de diretrizes que orienta a construção e adaptação de conteúdos digitais para possibilitar que todos os cidadãos possam acessar informações e utilizar serviços públicos online de maneira inclusiva e sem barreiras. 

Baseado em padrões internacionais, como as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG), o eMAG foi desenvolvido especificamente para o contexto brasileiro.  

Suas recomendações abordam desde aspectos técnicos até boas práticas de usabilidade, para que portais governamentais sejam acessíveis para pessoas com deficiência visual, auditiva, motora ou cognitiva. 

Como surgiu o eMAG? 

A preocupação com a acessibilidade digital no setor público brasileiro remonta ao início dos anos 2000, em paridade com o avanço do acesso à internet e digitalização de serviços públicos.  

Nesse contexto, o governo federal se deu conta de que, apesar da crescente demanda por serviços digitais, muitas pessoas enfrentavam dificuldades para acessar informações online.  

Para preencher essa lacuna, o governo realizou um estudo comparativo entre normas internacionais de acessibilidade, o que resultou na primeira versão do eMAG, em 2005. 

Com o tempo, o modelo passou por diversas atualizações para se alinhar às novas tecnologias, formatos e necessidades dos usuários. Em 2007, uma portaria institucionalizou sua adoção obrigatória nos portais governamentais.  

A partir disso, o eMAG evoluiu, incorporando conceitos do WCAG 2.0 e expandindo suas diretrizes para abranger novas formas de interação digital. 

Qual é o objetivo do eMAG? 

O principal escopo do eMAG é propiciar que qualquer cidadão, independentemente de suas limitações físicas ou cognitivas, consiga utilizar os serviços digitais oferecidos pelo governo.  

No contexto da acessibilidade digital, significa remover barreiras e proporcionar autonomia no uso de plataformas online, em consonância com o princípio da isonomia

Além de melhorar a experiência do usuário, o eMAG está diretamente alinhado com políticas públicas de inclusão social e transformação digital.  

Ele reforça a obrigação legal das instituições governamentais de tornar seus conteúdos acessíveis, em conformidade com legislações como a Lei de Acesso à Informação, o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a Lei do Governo Digital.  

Dessa forma, sua implementação não traz benefícios apenas para pessoas com deficiência, mas também melhora a usabilidade para a população em geral. 

Principais diretrizes do eMAG 

Implementar a acessibilidade digital nos serviços públicos envolve a criação de diretrizes que tornem os sites e sistemas mais intuitivos e funcionais para todos os usuários.  

O eMAG estabelece padrões técnicos e recomendações que viabilizam essa inclusão, permitindo que pessoas com deficiência possam acessar conteúdos governamentais de maneira independente.  

Essas diretrizes abrangem desde aspectos estruturais e compatibilidade com tecnologias assistivas até a adaptação da informação para diferentes perfis de usuários. 

Acessibilidade nos portais e serviços digitais 

Os sites e sistemas do governo devem ser desenvolvidos de forma que qualquer pessoa consiga navegar e interagir com suas funcionalidades.  

Para isso, a estrutura das páginas deve estar organizada de forma lógica e intuitiva, proporcionando uma navegabilidade simples e eficaz.  

Recursos como menus bem distribuídos, atalhos de teclado e comandos de voz contribuem para um acesso mais inclusivo, eliminando empecilhos que possam dificultar a interação dos usuários. 

Padrões técnicos e compatibilidade com tecnologias assistivas 

Compatibilizar os portais com leitores de tela, softwares de ampliação de texto e teclados adaptados é uma das diretrizes de maior relevância do eMAG.  

Isso exige o uso correto das linguagens de programação e marcação, como HTML semântico e ARIA, possibilitando que os elementos das páginas sejam interpretados corretamente por diferentes tecnologias assistivas. 

Inclusão de pessoas com deficiência no acesso à informação pública 

A acessibilidade digital não se resume à sua parte técnica; é imprescindível que a linguagem utilizada nos sites seja clara e compreensível.  

Recursos como legendas em vídeos, descrição textual de imagens e alternativas para conteúdos multimídia contribuem para um ambiente mais inclusivo. 

Como as prefeituras devem seguir o eMAG na prática? 

A implementação das diretrizes do eMAG nas prefeituras requer planejamento, escolhas acertadas e ações concretas para garantir a acessibilidade digital nos serviços municipais. 

Adequação dos sites e sistemas municipais às diretrizes do eMAG 

O primeiro passo para tornar um portal municipal acessível é realizar uma avaliação da sua conformidade com o eMAG. Isso pode ser feito por meio de ferramentas automatizadas e testes com usuários reais.  

Com base nos resultados, ajustes devem ser feitos para corrigir problemas de acessibilidade ou simplesmente gerar melhorias. 

Capacitação de equipes para implementação da acessibilidade digital 

A acessibilidade digital deve permear toda a cultura organizacional do poder público municipal. Para isso, continua sendo indispensável capacitar equipes de TI e comunicação para que desenvolvam e mantenham portais acessíveis.  

Da mesma forma, é desejável que um sistema para prefeituras seja simples o bastante para que servidores de todas as áreas consigam acessar com desenvoltura suas funcionalidades

Treinamentos sobre boas práticas de desenvolvimento, operacionalidade e usabilidade podem acelerar esse processo. 

Monitoramento e auditoria contínua da acessibilidade nos serviços 

A acessibilidade não deve ser vista como um projeto pontual, mas como um compromisso e uma premissa para qualquer serviço ou utilidade que venha a ser ofertada digitalmente pelo poder público. 

Realizar auditorias regulares nos sites e sistemas municipais permite identificar e corrigir falhas, garantindo que as diretrizes do eMAG sejam seguidas de forma consistente, sem interrupções na acessibilidade ou lacunas. 

Incentivo à participação cidadã e feedback da população 

A melhor forma de avaliar se um serviço digital é realmente acessível é ouvindo quem o utiliza, por isso a participação cívica é tão importante.  

Criar canais de comunicação para que a população possa relatar seu nível de satisfação, dificuldades e sugerir melhorias fortalece o compromisso com a inclusão digital e aprimora a experiência dos usuários. 

Conclusão 

O eMAG pavimenta um caminho claro para que os órgãos públicos eliminem barreiras e tornem seus serviços acessíveis a todos.  

Sua adoção efetiva não apenas cumpre exigências legais, mas atende à isonomia e melhora a qualidade da comunicação entre governo e população, promovendo um ambiente digital mais democrático e inclusivo. 

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