Quais são as despesas obrigatórias dos municípios? 

Pessoa contando moedas, em foto que ilustra post sobre despesas obrigatórias. Reprodução: LightFieldStudios/Envato.
Entenda quais são as despesas obrigatórias dos municípios e como elas impactam o orçamento municipal e a gestão pública 

A limitação orçamentária é um dos maiores desafios enfrentados por 37% das prefeituras brasileiras. Esse dado, presente no Panorama da Gestão Pública Municipal, ilustra a importância de gestores municipais entenderem a fundo o funcionamento de uma administração municipal. 

As despesas obrigatórias fazem parte dessa estrutura e influenciam diretamente a gestão financeira das prefeituras. Elas correspondem a gastos que precisam ser realizados pelos municípios por determinação constitucional ou legal. 

Na prática, isso significa que parte relevante do orçamento municipal já possui destinação definida antes mesmo do início do exercício financeiro. Esse cenário exige planejamento cuidadoso por parte da administração pública. 

Prefeitos, secretários e gestores municipais precisam compreender quais despesas são obrigatórias, quais normas regulam esses gastos e como eles impactam a execução das políticas públicas. 

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Neste artigo, você vai entender o que são despesas obrigatórias, quais são suas características e quais gastos compõem esse grupo dentro da administração municipal. 

O que são despesas obrigatórias? 

Despesas obrigatórias são gastos públicos cuja realização é determinada por leis ou pela Constituição. Isso significa que o gestor público não possui liberdade para suspender, reduzir ou deixar de executar esses pagamentos, pois eles decorrem de obrigações legais que devem ser cumpridas pela administração. 

Essas despesas podem incluir transferências constitucionais obrigatórias, pagamento de pessoal, aplicação mínima de recursos em áreas específicas e cumprimento de decisões judiciais. 

A existência dessas obrigações busca garantir que determinadas políticas públicas e compromissos financeiros do Estado sejam mantidos de forma contínua. 

No caso dos municípios, grande parte dessas despesas está relacionada à manutenção de serviços públicos, à execução de políticas sociais e ao cumprimento de regras fiscais estabelecidas pela legislação. 

Normas como a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000) estabelecem parâmetros para a gestão desses gastos. 

A presença dessas despesas influencia diretamente o planejamento do orçamento municipal e define limites para a destinação de recursos em outras áreas da gestão pública. 

Quais são as características das despesas obrigatórias? 

As despesas obrigatórias possuem características específicas que ajudam a diferenciá-las de outros tipos de gasto público. 

Essas características fazem com que os gestores públicos precisem acompanhar constantemente a evolução dessas despesas. 

A seguir, veja algumas características que ajudam a compreender melhor esse tipo de gasto: 

  • Falta de discricionaridade: nas despesas obrigatórias, o gestor público não tem liberdade para decidir se o gasto será realizado. O pagamento deve ocorrer conforme determina a legislação, podendo decorrer de normas constitucionais, leis federais, contratos administrativos ou decisões judiciais; 
  • Indexação: muitas despesas obrigatórias possuem mecanismos de atualização automática, com correções por índices econômicos ou regras definidas em lei, como ocorre em benefícios previdenciários ou determinadas transferências. Isso faz com que essas despesas possam crescer ao longo do tempo sem decisão administrativa direta; 
  • Risco fiscal: quando as despesas obrigatórias crescem mais rápido que as receitas públicas, o espaço para investimentos e novas políticas pode diminuir. Por esse motivo, normas de responsabilidade fiscal exigem acompanhamento constante desses gastos pelas áreas de planejamento, orçamento e finanças do município. 

Como elas impactam o orçamento municipal? 

As despesas obrigatórias exercem forte influência sobre a estrutura financeira dos municípios. 

Como parte significativa do orçamento já possui destinação definida por lei, os gestores precisam planejar cuidadosamente os recursos disponíveis para outras áreas. Isso afeta diretamente decisões relacionadas à expansão de serviços públicos, investimentos em infraestrutura e implementação de novos programas municipais. 

Outro aspecto relevante é o acompanhamento contínuo dessas despesas ao longo do exercício financeiro. Variações nas receitas municipais ou mudanças nas regras legais podem alterar o equilíbrio entre receitas e despesas. 

Por isso, o controle financeiro e a organização das informações administrativas são importantes para garantir maior previsibilidade na execução do orçamento. 

Ferramentas digitais e sistemas de gestão administrativa também ajudam a acompanhar processos relacionados às despesas públicas e a organizar as rotinas da administração municipal. 

Quais são as principais despesas obrigatórias dos municípios? 

Os municípios possuem diferentes tipos de despesas obrigatórias previstas na legislação brasileira. 

Esses gastos estão relacionados à execução de políticas públicas, ao funcionamento da administração municipal e ao cumprimento de normas constitucionais. 

A seguir estão algumas das principais despesas obrigatórias que fazem parte do orçamento das prefeituras. 

1 – Saúde 

A Constituição Federal determina que os estados e municípios devem aplicar um percentual mínimo de suas receitas em ações e serviços públicos de saúde. 

No caso dos municípios, o percentual mínimo é de 15% da receita resultante de impostos e transferências constitucionais, conforme previsto no artigo 198 da Constituição Federal e regulamentado pela Lei Complementar nº 141/2012

Essa exigência garante a manutenção de políticas públicas voltadas à saúde e ao funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS)  nos municípios. 

2 – Educação 

Outra área com aplicação mínima obrigatória é a educação. 

A Constituição determina que os municípios devem aplicar no mínimo 25% da receita resultante de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino. 

Esses recursos são utilizados para financiar escolas públicas, remuneração de profissionais da educação, infraestrutura escolar e programas educacionais. 

O investimento na área faz parte da política nacional de educação e representa parcela significativa do orçamento municipal. 

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3 – Despesa com pessoal 

As despesas com pessoal também estão entre os principais gastos obrigatórios da administração pública. Esse grupo inclui salários, encargos sociais, aposentadorias e outros benefícios relacionados aos servidores públicos. 

A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece limites para esse tipo de despesa. No caso dos municípios, o limite máximo é de 60% da Receita Corrente Líquida

O objetivo da regra é garantir equilíbrio fiscal e evitar crescimento excessivo da folha de pagamento. 

4 – Serviço da dívida pública 

Quando o município possui contratos de financiamento ou operações de crédito, o pagamento dessas obrigações também se torna uma despesa obrigatória. Esse grupo inclui parcelas de amortização da dívida, pagamento de juros e encargos financeiros. 

O cumprimento dessas obrigações é necessário para manter a regularidade fiscal do município e evitar restrições na contratação de novos financiamentos. 

5 – Transferências constitucionais obrigatórias 

Em algumas situações, os municípios também são responsáveis por transferências obrigatórias previstas na Constituição ou em leis federais.  

Essas transferências incluem, por exemplo, a destinação de recursos para fundos ou programas específicos que fazem parte da estrutura federativa brasileira. 

6 – Precatórios judiciais 

Os precatórios correspondem a pagamentos determinados por decisões judiciais transitadas em julgado. 

Quando o município é condenado judicialmente, o valor devido passa a integrar a lista de precatórios e precisa ser quitado conforme regras estabelecidas pela Constituição. 

Esse tipo de despesa pode representar impacto significativo no orçamento municipal. 

7 – Regime Próprio de Previdência Social (quando houver) 

Alguns municípios possuem Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) para seus servidores. 

Nesses casos, a administração municipal precisa garantir o pagamento de aposentadorias e pensões dos beneficiários vinculados ao regime. 

Esse compromisso gera despesas contínuas que precisam ser previstas no planejamento financeiro municipal. 

8 – Repasse ao Legislativo (duodécimo) 

Os municípios devem realizar repasses financeiros mensais à Câmara Municipal para garantir o funcionamento do Poder Legislativo. 

Esse repasse é conhecido como transferência do duodécimo e está previsto no artigo 29-A da Constituição Federal.  

O valor é calculado com base na receita municipal e deve ser transferido regularmente ao longo do ano. 

9 – Contribuição ao PASEP 

Os municípios também devem recolher contribuição ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP). 

Essa contribuição é calculada com base na receita arrecadada pelo município e deve ser recolhida conforme regras definidas pela legislação federal. 

Os recursos do programa são administrados pelo governo federal e destinados ao pagamento de benefícios aos trabalhadores vinculados ao programa. 

10 – Obrigações decorrentes do Fundeb 

O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) é um dos principais mecanismos de financiamento da educação pública no Brasil. 

Os municípios participam da composição do fundo e devem aplicar recursos conforme as regras estabelecidas pela legislação. 

Entre as exigências está a aplicação mínima de 70% dos recursos do fundo na remuneração de profissionais da educação básica. 

Conclusão 

As despesas obrigatórias fazem parte da estrutura financeira dos municípios e influenciam diretamente o planejamento do orçamento público. 

Esses gastos decorrem de determinações legais e incluem áreas como saúde, educação, folha de pagamento, previdência e cumprimento de decisões judiciais. 

Para os gestores municipais, compreender essas obrigações é essencial para organizar a execução do orçamento e garantir o cumprimento das normas fiscais. 

O acompanhamento constante dessas despesas também contribui para maior previsibilidade na gestão financeira da prefeitura. 

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