O empenho é a primeira etapa da execução da despesa pública, simbolizando um compromisso formal do governo para realizar um pagamento após a entrega de bens ou serviços. Tal compromisso garante que os recursos estejam adequadamente alocados no orçamento para este propósito.
Essa prática é indispensável para a organização do orçamento público, manutenção do controle financeiro e fomento à responsabilidade fiscal. Atua como a formalização da obrigação de reservar recursos para uma despesa decorrente de aquisição, contrato ou prestação de serviços, antes da sua execução completa.
Neste conteúdo, entenda em detalhes as definições de empenho, a base legal que o sustenta, seu funcionamento prático e sua relevância para uma gestão pública eficiente. Boa leitura!
O que é empenho?
O empenho é a primeira etapa da despesa pública, em que a administração pública reserva uma parte da dotação orçamentária para uma despesa futura, garantindo a disponibilidade de recursos para o pagamento.
Esse processo previne a realização de despesas sem a devida previsão orçamentária e reforça o controle sobre os gastos públicos, alinhando-os ao orçamento público, conforme previsto na Lei nº 4.320/1964.
O empenho garante que os valores necessários para uma obrigação fiquem reservados até que as condições para o pagamento sejam cumpridas. Essa medida contribui para consolidar a disciplina fiscal do município, aprimorar os controles internos e garantir maior transparência na execução do orçamento, promovendo a responsabilidade na gestão pública.
Base legal do empenho na administração pública
A legitimidade do empenho é regulada pela Lei nº 4.320/1964, que estabelece normas gerais de direito financeiro para a elaboração e execução do orçamento público do país.
De acordo com o artigo 58 da respectiva lei, o empenho ocorre por ato de autoridade competente, criando para o ente público obrigação de pagamento, nos limites da dotação orçamentária.
A legislação ainda estabelece que é vedada a realização de despesas sem prévio empenho, garantindo que todas as despesas estejam apoiadas por uma autorização orçamentária antes de serem executadas.
Como funciona o empenho?
A execução das despesas públicas compreende quatro fases principais: empenho, nota de empenho, liquidação e pagamento.
Empenho
O empenho consiste na alocação de parte da dotação orçamentária pela prefeitura para atender uma despesa pública específica, estabelecendo assim um compromisso formal de pagamento. Autorizar pagamentos sem um registro adequado do empenho não é viável, reforçando a disciplina no uso dos recursos públicos.
Nota de empenho
A formalização é realizada por meio da nota de empenho, um documento que identifica o credor, descreve a natureza da despesa, o valor alocado e inclui dados para o controle orçamentário. A nota de empenho é essencial para os controles contábeis e para a transparência ativa na administração municipal.
Liquidação
Após a entrega do bem ou serviço, inicia-se a liquidação. Esta fase envolve a verificação de que o objeto contratado foi cumprido de acordo com o contrato, nota de empenho e demais documentos da despesa, sendo um pré-requisito para a autorização do pagamento.
Pagamento
Somente após a conclusão regular da liquidação é que o pagamento pode ser realizado ao credor. A realização do pagamento é condicionada ao cumprimento apropriado das etapas anteriores, promovendo maior controle e segurança na aplicação dos recursos públicos.
Por que o empenho é fundamental para a gestão municipal?
O empenho é fundamental, pois representa o compromisso orçamentário inicial, vinculando cada gasto a uma dotação previamente estabelecida. Desta forma, é possível evitar a ocorrência de despesas não previstas e assegura-se a transparência na execução dos gastos municipais.
O uso adequado dele melhora o controle interno, ajuda a manter o equilíbrio das finanças públicas e facilita o monitoramento por órgãos de controle e pela sociedade civil.
Além disso, o empenho estimula um planejamento financeiro rigoroso, exigindo que toda despesa seja planejada e que recursos estejam disponíveis antes de sua execução, em consonância com as prioridades definidas no ciclo orçamentário municipal.

Tipos de empenho
Existem várias modalidades de empenho, cada uma apropriada às particularidades das despesas públicas.
Ordinário
O empenho ordinário diz respeito a despesas cujo valor é estipulado de antemão, permitindo que o pagamento seja realizado em uma única parcela. Exemplos comumente encontrados incluem a compra de bens de consumo e a contratação de serviços específicos com preço definido.
A utilização do empenho ordinário garante que os recursos necessários sejam reservados no orçamento para a despesa planejada, prevenindo compromissos financeiros sem a adequada dotação orçamentária. Esta é a forma mais habitual em operações do dia a dia no setor público.
Estimativo
O empenho estimativo é empregado para despesas cujo valor final não é predefinido, como no caso de consumo de água, eletricidade, combustível e despesas cujo valor não pode ser determinado previamente ao longo do exercício financeiro.
Nesta modalidade, uma estimativa é calculada com base em padrões de consumo anteriores ou previsões, garantindo a reserva orçamentária necessária para despesas que são variáveis por natureza.
Global
O empenho global é apropriado para despesas cujo valor total é conhecido previamente, mas cuja quitação acontece de maneira parcelada. Exemplos incluem contratos para prestação de serviços contínuos ou fornecimento regular, como aluguel e segurança.
Com este tipo de empenho, registra-se no orçamento o montante global do contrato, o que facilita a gestão orçamentária e diminui a necessidade de múltiplos registros de empenho para as parcelas individuais.
Qual é a relação entre empenho e restos a pagar?
Quando um empenho é realizado durante o exercício financeiro e não há tempo suficiente para sua liquidação até o final do ano (devido a atrasos na entrega, prestação de serviços ou finalização de contratos), esse valor pode ser registrado como restos a pagar.
Posteriormente, ele pode ser quitado no exercício seguinte, respeitando as normas legais. Essa relação permite que compromissos orçamentários assumidos em um ano possam ser cumpridos no ano seguinte, sem comprometer o planejamento orçamentário e financeiro.
Tal prática é fundamental para garantir que o planejamento financeiro do município não seja comprometido, pois promove a manutenção da disciplina fiscal ao longo do tempo. Isso só é viável desde que exista:
- Um sistema rigoroso de controle e monitoramento por parte da administração municipal, que deve acompanhar de forma minuciosa a execução orçamentária;
- Rápida identificação e prevenção de possíveis desequilíbrios financeiros;
- Adoção de medidas para garantir que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e em conformidade com as normas legais vigentes.
Assim, a relação entre exercícios financeiros permite uma gestão pública mais responsável, transparente e sustentável, promovendo o uso consciente dos recursos públicos em benefício da população.
Conclusão
O empenho é uma etapa fundamental da execução orçamentária no âmbito municipal, garantindo a reserva de recursos para pagamentos futuros, formalizando compromissos e prevenindo gastos sem a devida dotação orçamentária.
Com fundamento na Lei nº 4.320/1964, o empenho promove responsabilidade, transparência e controle nas finanças públicas. Neste sentido, compreender o funcionamento, desde sua definição até suas modalidades, é fundamental para a melhoria da gestão pública municipal e para o uso mais eficiente dos recursos disponíveis.
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