Entenda o que são parcerias público-privadas (PPPs) e como elas funcionam

Entenda o que são as parcerias público-privadas e como a tecnologia pode transformá-las no seu município.

As parcerias público-privadas (PPPs) fazem parte de uma estratégia importante de crescimento dos municípios. A colaboração entre empresas privadas e o setor público pode ampliar a qualidade dos serviços oferecidos à população e modernizar a gestão pública.

Neste sentido, os recursos tecnológicos vêm como um apoio importante não só para os gestores, como também para a população. Com tecnologias emergentes aplicadas às PPPs, as oportunidades de otimizar processos e recursos são diversas.

No conteúdo a seguir, você vai entender como funcionam as parcerias público-privadas e suas modalidades, os benefícios gerados com a prática e alguns exemplos de aplicação das PPPs. Boa leitura!

O que são as parcerias público-privadas (PPPs)?

As parcerias público-privadas (PPPs) são um mecanismo de colaboração entre o setor público e o privado para desenvolver projetos e serviços de interesse da sociedade.

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A parceria entre agentes públicos e privados é uma forma de fomentar o desenvolvimento da sociedade como um todo por meio de obras públicas e outros tipos de serviços, como transporte, saneamento, energia, saúde e educação.

Além disso, as PPPs permitem compartilhar os riscos e benefícios dos projetos, contribuindo para ampliar o acesso da população a serviços essenciais com maior eficiência e qualidade.

Diferença entre PPP e concessão

Apesar de estarem relacionadas, PPP e concessão não são sinônimos.

  • Concessão comum: é quando uma empresa assume a operação de um serviço público por conta própria, arcando com os investimentos necessários e sendo remunerada diretamente pelos usuários (como em pedágios de rodovias).
  • Parceria público-privada (PPP): é uma concessão mais complexa, onde o pagamento ao parceiro privado pode envolver recursos públicos (no caso da concessão patrocinada ou administrativa), com regras específicas estabelecidas em contrato.

Portanto, toda PPP é uma forma de concessão, mas nem toda concessão se enquadra como PPP.

É importante lembrar que, diferentemente da privatização, as PPPs não transferem de forma definitiva a titularidade dos ativos ao parceiro privado — o setor público continua como responsável e regulador da prestação dos serviços.

O que diz a legislação?

A Lei nº 11.079/2004 é o marco legal das parcerias público-privadas no Brasil. Ela estabelece normas gerais para licitação e contratação de PPPs no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Entre seus principais pontos, a lei define:

  • Modalidades de PPP (concessão patrocinada e concessão administrativa);
  • Requisitos mínimos para celebração dos contratos;
  • Necessidade de garantias ao parceiro privado;
  • Criação do Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas (FGP) para assegurar o cumprimento das obrigações do setor público;
  • Previsão de mecanismos como a Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada (PMI), que permite que empresas apresentem estudos para projetos de PPP antes da licitação oficial.

A estrutura legal brasileira também é composta por outras normas complementares, como a Lei de Concessões (Lei nº 8.987/1995) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000), que influenciam diretamente a formatação dos contratos de PPPs

Entendendo as parcerias público-privadas (PPPs)

O contrato de uma parceria público-privada exige algumas obrigações de ambas as partes, como:

  • Formas de remuneração e atualização de valores assumidos no contrato;
  • Penalidades para os envolvidos em casos de inadimplência, conforme a gravidade da infração contratual;
  • O parceiro privado deve garantir a execução do projeto, com recursos suficientes para a obra ou serviço;
  • Critérios para avaliar o desempenho do parceiro privado.

O pagamento ao parceiro privado pode ser feito exclusivamente pelo setor público ou combinado com a cobrança de tarifas aos usuários, conforme previsto em contrato.

A execução e fiscalização contínua são garantidas por cláusulas contratuais que buscam assegurar qualidade e disponibilidade do serviço ao longo de todo o contrato, que pode durar até 35 anos.

Principais características da PPP

As principais características das parcerias público-privadas são:

  • Contratos a longo prazo (de 5 a 35 anos);
  • Valor mínimo de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais);
  • Responsabilidade fiscal da parceria cabe ao poder público;
  • Contratação de obras e serviços de maneira conjunta.

É importante destacar que o pagamento dos serviços prestados pelas parcerias público-privadas só acontece após a entrega da obra ou serviço para o município ou seus usuários.

Em geral, as PPPs são utilizadas para viabilizar projetos que exigem investimentos elevados e que não seriam sustentáveis apenas com a cobrança de tarifas dos usuários.

Modalidades e formas de atuação das PPPs

Existem diferentes modalidades de licitação e formas de atuação nas PPPs, elas são divididas em três tipos e variam na sua forma de funcionamento no âmbito governamental:

  • Concessão comum: ocorre quando o parceiro conta com os recursos necessários para viabilizar determinada obra ou serviço, sem necessidade de subsídios da administração pública. As rodovias são um exemplo de concessão comum;
  • Concessão administrativa: acontece quando o agente público é um usuário direto ou indireto de um contrato de prestação de serviços, ainda que os recursos tenham sido fornecidos pelo município. A concessão não exige a prestação de serviços públicos, e sim a administração deles, como a construção de um hospital, por exemplo;
  • Concessão patrocinada: ocorre quando existe necessidade de subsídios regulares por parte do governo, uma vez que o valor pago pelos usuários não é suficiente para viabilizar a obra ou serviço. As rodovias e suas praças de pedágio são um exemplo de concessão patrocinada.

Essas duas últimas formas (administrativa e patrocinada) são, de fato, as modalidades previstas legalmente como PPPs, conforme a Lei nº 11.079/2004.

Benefícios das parcerias público-privadas

Existem diversos benefícios das PPPs na união entre poder público e empresas privadas para aprimorar a qualidade dos serviços prestados à população. A seguir, você conhecerá algumas vantagens e como é possível fomentar a inovação por meio das parcerias.

Melhoria da infraestrutura e dos serviços públicos

A parceria público-privada amplia as possibilidades de melhorias em infraestrutura e serviços prestados pelo município. Obras como reformas em estradas, construção de escolas e sistemas de saneamento básico são apenas alguns exemplos de entregas que podem ter uma qualidade superior com a parceria.

Compartilhamento de riscos e responsabilidades

A divisão de riscos e responsabilidades é outra vantagem que o município pode aproveitar. Dessa forma, o ônus é dividido entre os agentes em todas as etapas do projeto, desde a sua concepção, até a execução de fato, o que ajuda a buscar mais possibilidades de soluções para os problemas encontrados.

Eficiência na gestão e utilização de recursos

A parceria é importante para fomentar práticas de otimização de processos e, por consequência, tornar a rotina de trabalho do serviço público mais eficiente. Neste sentido, é possível otimizar os recursos e alocá-los para garantir o resultado com a qualidade e prazos definidos pelo planejamento estratégico.

Inovação e expertise do setor privado

Com a variedade de soluções no mercado, a administração pública pode aproveitar a expertise dos parceiros e agregar valor aos projetos com toda a bagagem que os eles trazem consigo. Com recursos como big data e análise de dados em PPPs, é possível inovar nas soluções entregues e abrir novos caminhos para o serviço público.

O papel da tecnologia nas parcerias público-privadas

O papel da tecnologia nas PPPs é importante para melhorar significativamente como o contrato é gerido. Com as ferramentas certas, já é possível simplificar as atividades ao incluir recursos tecnológicos nos processos.

Automação e digitalização de processos

A automação de processos em PPPs otimiza uma etapa bastante burocrática do trabalho dos órgãos públicos. Combinada à digitalização, as etapas dos processos podem seguir com mais velocidade graças ao compartilhamento e tramitação de documentos de maneira digital.

Monitoramento e controle de projetos

Já existem plataformas de monitoramento de projetos em PPPs, com diferentes recursos e tecnologias emergentes aplicadas às PPPs e seu acompanhamento. As funcionalidades permitem acompanhar rapidamente o andamento de projetos importantes como obras públicas, por exemplo.

Áreas de aplicação das PPPs

As parcerias público-privadas podem ser aplicadas em diversas áreas da administração pública, como:

  • Transporte público: implantação e operação de sistemas integrados de mobilidade;
  • Saneamento básico: construção e manutenção de redes de água e esgoto;
  • Iluminação pública: modernização e gestão de redes com uso de LED e telegestão;
  • Educação e saúde: construção e manutenção de unidades escolares e hospitalares;
  • Infraestrutura urbana: terminais, vias públicas, centros administrativos;
  • Esporte e lazer: arenas, centros de treinamento, espaços de uso coletivo.

Essas áreas se beneficiam da expertise do setor privado e da capacidade de execução mais ágil que as PPPs proporcionam.

Conclusão

Ainda que existam diversos desafios da tecnologia em PPPs (como o impacto da cultura organizacional, por exemplo), são muitos os benefícios para os servidores e cidadãos. Com a possibilidade de proporcionar mais eficiência com as parcerias público-privadas, vale a pena superar tais barreiras.

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