SINGREH: importância para a gestão dos recursos hídricos e o setor de saneamento

Panorama de um rio que flui entre as margens. Foto que ilustra post sobre SINGREH. Reprodução: YouraPechkin/Envato.
O que é o SINGREH, como funciona o sistema e qual sua relação com as empresas de saneamento no Brasil. 

A gestão dos recursos hídricos é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e a sociedade, conforme previsto na Política Nacional de Recursos Hídricos. No Brasil, o modelo de governança que organiza essa gestão é o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). 

Esse sistema tem como objetivo promover o uso racional da água, garantir sua disponibilidade em quantidade e qualidade adequadas e integrar diferentes políticas públicas, como abastecimento, irrigação, energia e saneamento.  

Com o avanço da universalização do saneamento, o papel do SINGREH torna-se ainda mais relevante, pois a expansão dos serviços exige segurança na oferta de água. 

Neste artigo, explicamos o que é o SINGREH, como ele funciona, quais são seus instrumentos de gestão e de que forma se relaciona com as empresas de saneamento que atuam em todo o país. 

Sem tempo para ler agora?

Baixe esta matéria em PDF!

O que é o SINGREH (Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos)? 

O SINGREH (Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos) é o conjunto de órgãos, entidades e instrumentos criados para planejar, coordenar e implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos no Brasil, de forma descentralizada e participativa. 

O sistema tem como objetivo principal garantir o uso sustentável da água, conciliando os interesses de diferentes usuários e regiões. Ele foi concebido para permitir que a gestão da água seja feita de maneira integrada entre União, estados, municípios e sociedade civil. 

Na prática, o SINGREH é o espaço institucional onde se discutem as prioridades, os planos e as regras de uso dos recursos hídricos. Ele articula políticas públicas, regula o acesso à água e define mecanismos para preservar a quantidade e a qualidade dos mananciais. 

Base legal do SINGREH (Lei nº 9.433/1997) 

A criação do SINGREH aconteceu por meio da Lei nº 9.433/1997, conhecida como Lei das Águas, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos.  

Essa legislação foi um marco ao reconhecer a água como um bem de domínio público e de valor econômico, cujo uso deve ser cobrado e regulado de forma responsável. 

A lei define que a gestão deve ser descentralizada, participativa e integrada, com o envolvimento do poder público, dos usuários e das comunidades locais.  

Essa estrutura busca conciliar diferentes interesses, como abastecimento, agricultura, indústria e geração de energia, sejam conciliados em torno de um objetivo comum: o uso sustentável da água. 

A partir dessa base legal, foram criados os comitês de bacias hidrográficas, os conselhos de recursos hídricos e os instrumentos de planejamento que sustentam o funcionamento do sistema. 

Objetivos do sistema

O SINGREH foi criado para garantir que a água seja usada de forma equilibrada e sustentável em todo o território nacional. Entre seus principais objetivos, destacam-se: 

  1. Assegurar água em quantidade e qualidade adequadas para os diferentes usos: o sistema busca garantir o abastecimento para consumo humano, atividades econômicas e manutenção dos ecossistemas; 
  2. Promover o uso racional e integrado dos recursos hídricos: ao integrar políticas públicas e evitar conflitos entre setores e regiões; 
  3. Prevenir e reduzir impactos de eventos críticos, como secas e enchentes: ao fortalecer ações de segurança hídrica; 
  4. Incentivar a participação social na gestão da água: com o envolvimento de usuários, poder público e sociedade civil nos processos decisórios; 
  5. Fomentar a articulação entre União, estados e municípios: ao promover uma governança cooperativa. 

Como o SINGREH é estruturado? 

A estrutura do SINGREH foi desenhada para garantir descentralização e participação em todas as etapas da gestão da água. Ela é composta por diferentes instâncias e entidades que atuam de forma integrada. 

O sistema inclui: 

  • Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH)órgão máximo deliberativo do sistema, responsável por formular diretrizes e políticas nacionais para o setor; 
  • Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA): instituição executiva que implementa as políticas, regula o uso da água e apoia a elaboração de planos de bacia; 
  • Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos: órgãos que adaptam as diretrizes nacionais à realidade de cada estado; 
  • Comitês de Bacias Hidrográficas: instâncias locais e regionais de gestão, onde ocorre a participação direta de representantes da sociedade, empresas e governos; 
  • Órgãos dos poderes públicos federal, estadual e municipal: que atuam em atividades relacionadas à gestão da água e ao saneamento. 

Essa estrutura garante que as decisões sobre o uso dos recursos hídricos não sejam tomadas apenas em nível central, mas também de forma compartilhada com quem está mais próximo das bacias e mananciais. 

Planilha - Controle de processos e protolos

Principais instrumentos de gestão do SINGREH 

Os instrumentos de gestão são ferramentas práticas que permitem o funcionamento do SINGREH e a aplicação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Eles orientam o planejamento, o controle e a avaliação do uso da água em todo o país. 

  1. Planos de Recursos Hídricos: estabelecem o diagnóstico da situação das bacias e definem metas de preservação e uso. Servem como base para o planejamento integrado com as políticas de saneamento e de desenvolvimento urbano; 
  2. Enquadramento dos corpos d’água: classifica os cursos de água conforme seus usos predominantes, como abastecimento, irrigação ou recreação. Essa classificação orienta as metas de qualidade da água; 
  3. Outorga de direito de uso da água: autoriza o uso da água por determinado tempo e finalidade, prevenindo conflitos e garantindo o uso equitativo entre os usuários; 
  4. Cobrança pelo uso dos recursos hídricos: estabelece um valor econômico para o uso da água, incentivando o consumo racional e financiando ações de gestão e preservação; 
  5. Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH): reúne dados sobre disponibilidade, qualidade e uso da água, servindo de apoio para decisões técnicas e políticas. 

Como o SINGREH se relaciona com as empresas de saneamento 

O SINGREH tem impacto direto sobre a atuação de cada empresa de saneamento no país, uma vez que as companhias dependem da disponibilidade e da qualidade dos recursos hídricos para garantir a continuidade dos serviços de abastecimento e tratamento. 

Por meio dos planos de recursos hídricos e das outorgas de uso, as empresas obtêm segurança jurídica e operacional para captar, tratar e distribuir água. 

Além disso, o SINGREH incentiva práticas de gestão integrada, ao conectar o planejamento das companhias com as políticas públicas voltadas à universalização do saneamento. Essa integração é ainda mais relevante em regiões onde há conflitos de uso, escassez ou degradação ambiental. 

Outro ponto importante é o papel das empresas nas discussões dos comitês de bacia hidrográfica. Como usuárias diretas dos recursos hídricos, elas participam da formulação de metas e ações para garantir a preservação dos mananciais e o equilíbrio entre demanda e disponibilidade. 

O SINGREH também contribui para o avanço do saneamento no Brasil, especialmente com o fortalecimento da governança e a melhoria do planejamento setorial. Isso inclui a integração com o saneamento rural, com o objetivo de ampliar o acesso ao abastecimento de água potável e à coleta e tratamento de esgotos em áreas rurais e remotas. 

A partir dessa cooperação, as companhias de saneamento conseguem planejar investimentos de forma mais eficiente, reduzir riscos de escassez e assegurar a sustentabilidade de seus serviços. 

Conclusão 

O SINGREH representa uma das principais estruturas de governança ambiental e hídrica do Brasil. Ele garante que o uso da água seja orientado por princípios de sustentabilidade, participação e eficiência, permitindo que diferentes setores possam atuar de forma coordenada. 

As companhias de saneamento devem compreender o funcionamento do sistema para planejar captações, operar de maneira integrada e participar das decisões que afetam os recursos hídricos de suas regiões. 

A modernização da gestão pública e a digitalização de processos também fortalecem essa integração. Automatizar tarefas e aprimorar a gestão interna ajuda as instituições a acompanhar metas e indicadores com mais eficiência. 

Se sua empresa busca esse tipo de melhoria, acesse o infográfico sobre automação de tarefas e entenda como a tecnologia pode otimizar o trabalho e ampliar a eficiência na gestão de recursos e processos. 

COMPARTILHAR

Artigos Relacionados

Mais de

Preencha abaixo para baixar o artigo em PDF!