A descrição arquivística é um processo essencial para organizar, identificar e representar documentos de forma padronizada, garantindo acesso, preservação e transparência.
Na administração pública, essa prática fortalece a gestão de documentos, permitindo que informações importantes sejam recuperadas com agilidade e precisão.
No entanto, a descrição arquivística ainda é pouco explorada em muitos municípios, o que pode comprometer a eficiência dos serviços públicos e a memória institucional.
Neste artigo, você vai entender o que é descrição arquivística, quais são seus objetivos, as normas que a orientam e como implementá-la de forma prática e eficaz na rotina da gestão pública. Boa leitura!
O que é descrição arquivística?
A descrição arquivística é um processo de identificação, organização e representação padronizada de documentos. É uma prática que possibilita a recuperação das informações, o acesso rápido ao conteúdo dos arquivos e a preservação do acervo documental.
Ao criar registros descritivos padronizados para os documentos, essa prática permite que diferentes usuários — como cidadãos, servidores e gestores — compreendam o contexto, a origem e o conteúdo dos documentos, mesmo sem ter contato direto com eles.
Quais são os objetivos da descrição arquivística?
A principal finalidade da descrição arquivística é garantir que os documentos permaneçam acessíveis e compreensíveis, mesmo com o passar do tempo. Neste contexto, seus objetivos incluem:
- Identificar documentos de maneira única e padronizada;
- Organize o acervo de acordo com sua origem e função;
- Representar fielmente o conteúdo e o contexto dos documentos;
- Garantir uma gestão de documentos eficiente.
Na prática, isso significa que os documentos ficam mais fáceis de localizar e entender, tanto por servidores públicos, quanto por cidadãos que exercem seu direito à informação.
Por que a descrição arquivística é importante para a gestão pública?
A gestão pública lida com uma quantidade massiva de documentos. Licitações, contratos, memorandos, pareceres, entre outros, formam um acervo que deve ser preservado, acessível e confiável. A descrição arquivística, neste contexto, desempenha um papel fundamental.
O processo facilita a transparência pública, já que permite que a informação chegue de maneira clara e organizada ao cidadão. Também garante a preservação da memória institucional, otimizando a busca por documentos históricos ou operacionais.
Outro ponto relevante é o apoio à auditoria e ao controle interno. Uma descrição padronizada permite acompanhar com precisão o ciclo de vida dos documentos e sua autenticidade, reduzindo o risco de extravios, duplicações ou perdas de dados.
Quais são os principais elementos da descrição arquivística?
Para que a descrição seja eficaz, alguns elementos são indispensáveis. Independentemente do suporte físico ou digital, é necessário construir uma estrutura informativa consistente. Abaixo, confira os principais itens:
Título e data
O título representa o conteúdo principal do documento. Já a data permite entender em que contexto histórico e administrativo aquele material foi produzido. Ambos são essenciais para a cronologia e localização dos arquivos.
Produtor ou entidade responsável
É necessário indicar quem criou o documento. Pode ser um setor da prefeitura, uma secretaria específica ou um órgão conveniado. Esse dado confere origem e credibilidade ao material descrito.
Conteúdo e contexto do documento
Descrever o conteúdo envolve informar de que trata o documento, qual seu objetivo e em que situação foi gerado. Isso é fundamental para quem busca documentos por temas ou finalidades.
Suporte, extensão e localização
O suporte pode ser físico (papel, fotografia, CD) ou digital. A extensão refere-se ao volume (número de páginas, arquivos etc.). Já a localização informa onde o documento está guardado, seja em um arquivo físico ou em um sistema de gestão de documentos.
Nível de descrição
Os documentos são organizados em diferentes níveis: fundo, série, dossiê ou item. O fundo representa o conjunto documental de um órgão; a série, um tipo de documento recorrente; o dossiê, um agrupamento temático; e o item, um documento individual. Conhecer esses níveis é essencial para montar um arquivo estruturado e funcional.

Quais normas e diretrizes orientam a descrição arquivística?
Para que a descrição seja válida tecnicamente e reconhecida por diferentes instituições, é fundamental seguir normas específicas. As principais são:
ISAD(G)
A ISAD(G) – Norma Geral Internacional de Descrição Arquivística é um padrão internacional que estabelece regras para a descrição de documentos em arquivos.
É a norma responsável por definir os elementos que devem ser incluídos em uma descrição e como devem ser apresentados. Seu objetivo é garantir a intercambialidade e a compreensão global das descrições.
NOBRADE
A NOBRADE – Norma Brasileira de Descrição Arquivística adapta os princípios da ISAD(G) à realidade brasileira.
Criada pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), a NOBRADE padroniza os campos descritivos nos arquivos públicos e privados do Brasil, promovendo uma linguagem comum entre instituições arquivísticas.
Outras diretrizes nacionais e municipais
Além das normas acima, é importante estar atento às legislações e diretrizes locais, como leis municipais de acesso à informação e regulamentações sobre arquivos públicos. Elas complementam as normas técnicas e garantem aderência às políticas locais de gestão documental.
Como realizar a descrição arquivística de forma eficaz?
Implementar a descrição arquivística na rotina da administração pública exige planejamento, recursos e capacitação. Veja algumas recomendações práticas:
Adote sistemas eletrônicos com campos padronizados
Utilizar uma plataforma digital com campos estruturados para a descrição dos documentos facilita o trabalho de organização e recuperação. Sistemas modernos permitem buscas rápidas, aplicação de filtros por datas e contextos e integração com outras ferramentas de gestão.
Os sistemas também devem oferecer suporte à legislação arquivística vigente, permitir a customização de metadados e garantir a rastreabilidade dos registros ao longo do tempo, mantendo o controle sobre a produção documental e garantindo o cumprimento das normas de transparência e acesso à informação.
Capacite servidores responsáveis pelos arquivos
Não basta ter bons sistemas se os profissionais não estiverem preparados. Investir na capacitação de servidores garante que os registros sejam feitos de forma correta e padronizada, evitando retrabalho e inconsistências.
A formação contínua também contribui para a valorização dos profissionais e fortalece a cultura organizacional voltada à preservação da memória institucional. Treinamentos práticos aumentam a eficiência e reduzem erros operacionais.
Mantenha consistência e atualizações nas descrições
A padronização deve ser mantida ao longo do tempo. Isso inclui revisar os campos descritivos, atualizar informações e corrigir inconsistências. Ter um manual interno com diretrizes é uma boa prática para garantir a uniformidade.
As atualizações devem ser periódicas e coordenadas com todos os setores envolvidos, evitando versões conflitantes dos mesmos documentos. A consistência é essencial para que o acervo arquivístico permaneça acessível, confiável e útil, mesmo em contextos de mudanças administrativas ou tecnológicas.
Integre a descrição ao processo de digitalização e gestão eletrônica
A gestão eletrônica de documentos facilita o acesso remoto, o versionamento de arquivos e a segurança da informação. Integrar a descrição arquivística a esse processo torna o acervo mais inteligente e funcional.
Além disso, seguir boas práticas de interoperabilidade ajuda a conectar os sistemas locais a bancos de dados estaduais ou federais, favorecendo políticas públicas integradas e fiscalizações.
Conclusão
A descrição arquivística é uma ferramenta indispensável para a gestão documental na esfera pública. Além de melhorar o acesso à informação, fortalece a transparência e garante a preservação da memória institucional.
Com a adoção de normas, os municípios podem padronizar suas práticas e garantir mais eficiência no trato com os documentos públicos.
Ao investir em sistemas adequados, capacitar os profissionais e manter a padronização das descrições, a gestão pública terá maior controle sobre seus arquivos e facilitará o atendimento às demandas da população e dos órgãos de controle.
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