A legislação arquivística brasileira reúne normas que orientam como documentos públicos e privados devem ser criados, organizados, preservados e acessados. Essas normas são fundamentais para garantir a transparência, a memória institucional e os direitos dos cidadãos.
Nesse sentido, o arcabouço legal arquivístico se moldou para acompanhar os desafios atuais, como a gestão de documentos digitais e a proteção de informações sensíveis, a teor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Mais do que estabelecer regras sobre a guarda e a destinação de documentos físicos e digitais, a legislação arquivística está diretamente vinculada ao exercício da cidadania e às cláusulas democráticas.
Ao normatizar o ciclo de vida dos documentos, essa legislação assegura que informações relevantes para a história, a cultura e a administração sejam tratadas com o devido zelo, evitando perdas irreparáveis e facilitando o acesso quando necessário.
No atual contexto, em que a digitalização e o uso intensivo de tecnologias transformaram a forma como os documentos são criados e compartilhados, torna-se ainda mais evidente a necessidade de conhecer e aplicar corretamente as normas arquivísticas.
O que é a legislação arquivística?
A legislação arquivística é o conjunto de normas que regulam a criação, o uso, a gestão, a preservação e o acesso a documentos, tanto públicos quanto privados.
Ela abrange dispositivos constitucionais, leis ordinárias, decretos, portarias, resoluções de órgãos como o Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), além de normas técnicas voltadas para a digitalização e conservação dos acervos.
Essas normas não apenas regulam o funcionamento dos arquivos em si, mas também estabelecem princípios para o tratamento da informação documental, assegurando sua autenticidade, integridade, segurança e disponibilidade ao longo do tempo.
Por que a legislação arquivística é tão importante?
A Lei do Arquivo exerce papel fundamental na organização do Estado e das instituições privadas ao certificar que os documentos gerados no decorrer das atividades sejam devidamente registrados, armazenados e, quando necessário, disponibilizados à sociedade ou aos interessados.
Essa estrutura normativa permite que o acesso à informação seja viabilizado de forma equilibrada com a proteção de dados sensíveis e do patrimônio documental.
As disposições legais contribuem para a eficiência da gestão de documentos, a redução de riscos jurídicos e a promoção da transparência.
Também orientam as práticas relacionadas ao descarte documental, conforme tabela de temporalidade, evitando a eliminação intempestiva e indevida de registros que possuem valor histórico, probatório ou informativo.
Quais são as principais leis e normas da legislação arquivística?
A legislação arquivística brasileira é vasta e abrange diversas normas, desde a Constituição Federal até decretos e portarias específicas. Destacam-se entre os principais instrumentos:
Lei nº 8.159/1991 – Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados
A Lei nº 8.159/1991, conhecida como Lei de Arquivos, estabelece os fundamentos da política nacional para os arquivos públicos e privados, reconhecendo os documentos como instrumentos de prova e elementos formadores do patrimônio cultural brasileiro.
Ela determina que compete ao poder público, em cooperação com a sociedade, a gestão e a proteção dos arquivos, de forma a preservar o acesso e a integridade das informações neles contidas.
Essa lei fundou o Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) e definiu a função do Conarq como órgão central para coordenar e orientar as ações na área.
Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011)
A Lei nº 12.527/2011, popularmente conhecida como Lei de Acesso à Informação (LAI), delinea a garantia constitucional de acesso às informações públicas.
Ela reforça o dever dos órgãos e entidades de manter arquivos organizados e acessíveis, além de estabelecer procedimentos para disponibilização de dados ao cidadão, salvo nos casos de sigilo previstos em lei.
A LAI se conecta diretamente à gestão documental ao exigir práticas que assegurem a rastreabilidade e a integridade dos documentos que embasam decisões e ações governamentais.

Resoluções do Conarq
Essas normas tratam de aspectos como classificação, avaliação, temporalidade, destinação e preservação de documentos, com o objetivo de assegurar práticas padronizadas e eficazes nos diferentes níveis da administração pública.
As resoluções do Conarq dialogam diretamente com a teoria das três idades dos arquivos, que segmenta o ciclo de vida dos documentos em três fases:
- Corrente: quando os documentos são de uso frequente na rotina administrativa;
- Intermediária: período em que os documentos já não são tão consultados, mas ainda precisam ser preservados por exigência normativa;
- Permanente: fase em que os documentos são preservados em caráter histórico ou probatório, passando a integrar definitivamente o patrimônio documental da instituição.
Legislação específica de órgãos e entidades
Diversas instituições possuem normas próprias para regular sua gestão documental, ajustadas às suas particularidades.
Por exemplo, o Conselho Federal de Medicina, com suas normas sobre prontuários eletrônicos, ou o Banco Central, que dispõe sobre documentos digitais no setor financeiro.
Tais regulamentações complementam as diretrizes gerais e são indispensáveis para o bom funcionamento das atividades internas.
Normas técnicas de digitalização e preservação
Para fins de atualização, destaca-se o Decreto nº 10.278/2020, que dispõe sobre os critérios técnicos e requisitos para a digitalização de documentos públicos e privados, assegurando que os documentos digitalizados tenham o mesmo valor jurídico que os originais.
Em complemento, normas internacionais como a ISO 15489 (Gestão de Documentos) são amplamente utilizadas como referência técnica para a implementação de sistemas de gestão arquivística.
Como aplicar a legislação arquivística na prática?
O desafio da aplicação da legislação arquivística está em traduzir os dispositivos legais e normas em práticas cotidianas nas instituições. Algumas ações fundamentais:
Implantação de políticas municipais de gestão documental
Os municípios e suas autarquias devem instituir políticas de gestão documental alinhadas ao SINAR e às orientações do Conarq.
Envolve a criação de comissões de avaliação documental, plano de classificação, definição de tabelas de temporalidade e estabelecimento de rotinas claras para produção, tramitação, guarda e eliminação de documentos.
Classificação, temporalidade e destinação de documentos
Cada documento deve ser classificado segundo sua natureza e função, com prazos de guarda definidos em tabelas de temporalidade aprovadas pelas instâncias competentes.
A correta destinação dos documentos — preservação permanente, eliminação ou transferência — previne acúmulos inúteis e facilita o acesso às informações relevantes.
Digitalização com validade jurídica e acesso seguro
A digitalização de documentos deve seguir padrões técnicos que assegurem a fidelidade ao original, de modo que o documento digitalizado possa substituir o físico quando permitido.
O uso de assinaturas digitais, sistemas certificados e infraestrutura de chaves públicas (ICP-Brasil) reforça a autenticidade e a segurança dos acervos digitais.
Capacitação de equipes e uso de sistemas adequados
A legislação, por si só, não transforma a realidade onde não houver investimento na qualificação dos profissionais envolvidos na gestão documental.
É imprescindível oferecer treinamentos periódicos, além de adotar soluções tecnológicas adequadas, como sistemas de gestão de documentos eletrônicos que atendam aos requisitos legais e técnicos.
Conclusão
A legislação arquivística brasileira oferece um conjunto robusto de normas que orientam a gestão documental em suas múltiplas dimensões. Cabe às instituições públicas e privadas não apenas conhecer esse arcabouço, mas aplicá-lo de forma planejada e integrada.
A evolução constante das tecnologias e das demandas sociais exige que os responsáveis pela gestão documental estejam atentos às atualizações normativas e busquem formas de assegurar a preservação e o acesso às informações.
Mais do que um requisito burocrático, a legislação arquivística representa um compromisso com a história e com o futuro.
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