Entenda a importância do princípio da legalidade na administração pública

Pessoas trabalhando, em foto que ilustra post sobre legalidade na administração pública
A legalidade na administração pública não é apenas uma formalidade, mas uma proteção contra a potencial tendência ao arbítrio.

A legalidade é o primeiro e o mais importante princípio do artigo 37 da Constituição Federal de 1988. Ela existe para impedir que a Administração Pública atue de forma arbitrária, comprometendo a autonomia e os direitos dos cidadãos.

A legalidade não é apenas um princípio técnico-jurídico, mas uma barreira ética que resguarda a sociedade contra a instrumentalização inadequada do poder estatal.

O princípio da legalidade também serve como um farol ético, apontando para a necessidade de que as ações governamentais sejam respaldadas pela vontade da sociedade expressa em suas leis. 

Nesse contexto, exploraremos não apenas a definição do princípio da legalidade, mas também sua aplicação prática na gestão pública, revelando como se traduz em uma salvaguarda contra os desvios que poderiam comprometer a essência democrática e o equilíbrio entre o Estado e a sociedade.

Sem tempo para ler agora?

Baixe esta matéria em PDF!

O que é o princípio da legalidade?

O princípio da legalidade determina que a administração pública só pode agir quando a lei permite e nos exatos termos que ela autoriza. Previsto no artigo 37 da Constituição Federal, é o pilar que sustenta a estrutura normativa estatal. 

Esse princípio não é apenas uma formalidade jurídica: é um obstáculo real contra possíveis abusos do Estado. Em sua aplicação, a legalidade impõe que o Estado atue de maneira previsível, transparente e justa, garantindo que seus atos se submetam ao crivo da legalidade. 

Essa base normativa não apenas confere segurança jurídica à sociedade, mas também resguarda os cidadãos contra intervenções arbitrárias, assegurando que o poder estatal esteja sempre submisso à vontade expressa nas leis que regem a coletividade. 

Portanto, o princípio da legalidade não é apenas um componente técnico do ordenamento jurídico, mas um pilar ético que molda a relação entre o Estado e seus cidadãos.

Diferença entre legalidade e reserva legal

O princípio da legalidade exige que a atuação administrativa tenha sempre uma base normativa, que pode ser a Constituição, uma lei ou mesmo um regulamento.

Já a reserva legal é mais restrita: determina que certas matérias só podem ser tratadas por lei em sentido formal, aprovada pelo Poder Legislativo, sem que decretos ou portarias possam substituí-la.

Na prática, isso significa que toda reserva legal está dentro do princípio da legalidade, mas nem toda exigência de legalidade chega ao ponto de reserva legal. Matérias como a criação de tributos e a definição de crimes e penas são exemplos de reserva legal.

O que isso significa na prática?

Na prática, o princípio da legalidade prevê:

  • Subordinação total: todo ato administrativo, seja portaria, decreto ou resolução, depende de previsão legal prévia para existir e ter validade;
  • Vedação ao arbítrio: o agente público não age conforme vontade própria; sua atuação está sempre limitada ao que a lei determina, servindo à vontade coletiva nela expressa;
  • Vinculação estrita: diferentemente do que ocorre na esfera privada, o administrador público não pode, por conta própria, criar direitos, obrigações ou proibições.

Alguns conceitos são importantes para entender a aplicação do princípio da legalidade:

  • Atos discricionários vs. vinculados: mesmo quando a lei dá margem de escolha ao gestor (discricionariedade), a atuação continua subordinada aos limites e às finalidades previstas na própria norma;
  • Autotutela: decorre do princípio da legalidade o dever da Administração de anular seus próprios atos quando estes forem ilegais, sem necessidade de ordem judicial.

Legalidade na Constituição Federal

O princípio da legalidade, inscrito na Constituição Federal de 1988, encontra-se no cerne da estrutura normativa do Brasil. O artigo 5º, II, estipula que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”, conferindo à legalidade um papel essencial na limitação dos poderes estatais. 

O caput do artigo 37 lista como princípios da administração pública a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência. Esses princípios funcionam como salvaguardas contra possíveis abusos do Estado.

No âmbito tributário, o artigo 150, I, proíbe expressamente União, Estados, Distrito Federal e Municípios de exigir ou aumentar tributos sem respaldo legal. Esse dispositivo não é uma homenagem à burocracia, mas uma limitação que impede a imposição de encargos fiscais sem fundamento jurídico, resguardando a previsibilidade para os contribuintes.

No campo orçamentário, a legalidade, prevista no artigo 165 da Constituição Federal, exige que a elaboração e a execução do orçamento sigam as regras definidas em lei complementar e nas próprias leis orçamentárias.

Esse requisito assegura que a alocação de recursos para políticas públicas esteja alinhada com as disposições orçamentárias, promovendo, assim, uma administração financeira que respeite os limites legais.

Portanto, a legalidade na Constituição Federal é um elemento fundamental para a coesão entre as normas e a prática, indispensável para a construção de uma governança pública eficaz.

Quais são os tipos de legalidade?

O princípio da legalidade pode ser desdobrado em dois tipos principais: legalidade ampla e legalidade estrita.

Legalidade ampla (para particulares)

A legalidade ampla é aplicada aos administrados. Tudo o que não é proibido em lei é permitido. Está prevista no artigo 5º, inciso II da Constituição Federal.

Ela confere liberdade aos agentes privados, na medida em que essa atuação não entra em confronto com as normas jurídicas ou revela abuso de direito.

Legalidade estrita (para o Estado)

Aplica-se à administração pública. O gestor só pode fazer o que a lei expressamente autoriza ou determina.

Restringe consideravelmente a margem de discricionariedade do Poder Público, sem espaço para interpretações amplas ou decisões arbitrárias. 

Qual a importância da legalidade na administração pública?

A legalidade é um alicerce vital para a preservação do Estado Democrático de Direito. Ela assegura que o poder estatal seja exercido dentro dos limites estabelecidos pela sociedade por meio de suas leis, promovendo a previsibilidade, a segurança jurídica e a proteção dos direitos individuais.

A observância rigorosa da legalidade na administração pública contribui para a construção de uma sociedade justa, em que as ações do Estado são pautadas pela transparência e pela igualdade, mitigando abusos de poder e promovendo uma gestão participativa..

Como aplicar este princípio enquanto gestor público?

Na gestão pública, aplicar o princípio da legalidade é ao mesmo tempo um desafio prático e uma exigência ética. Para os gestores públicos, a tarefa vai além da simples conformidade técnica com normas e leis; requer uma compreensão profunda do alcance e das nuances desse princípio. 

Neste contexto, confira algumas estratégias e considerações essenciais para efetivar o princípio da legalidade, delineando como os gestores podem, de maneira ética e eficiente, orientar suas ações no respeito irrestrito às normas legais às quais sua atuação está vinculada.

Invista em conhecimento jurídico

O gestor público deve possuir sólido conhecimento jurídico, entendendo as leis e normas que regem sua área de atuação. Isso é crucial para tomar decisões alinhadas com a legalidade.

Tais conhecimentos são fundamentais para a formulação de políticas públicas eficientes e para o desenvolvimento da liderança no Setor Público.

Consulta jurídica

Em situações complexas, é aconselhável buscar orientação jurídica para garantir que as ações da administração estejam em conformidade com a legislação vigente. Nesse sentido, o auxílio das Procuradorias municipais deve ser solicitado sempre que necessário, tendo em vista as atribuições comuns desses órgãos na consultoria do órgão ao qual está vinculado.

Transparência e prestação de contas

Manter transparência nas ações, comunicando de maneira clara as decisões e garantindo a prestação de contas, é essencial para demonstrar o compromisso com a legalidade. Mais que isso, garante que o gestor não terá problemas com os órgãos de controle, como Tribunais de Contas e o próprio Poder Judiciário.

Conclusão

Os gestores públicos desempenham um papel substancial na aplicação desse princípio, sendo sua compreensão e observância fundamentais para o fortalecimento das instituições e a promoção do bem comum.

Em um Estado que se pretende democrático e de direito, a legalidade na administração pública no Brasil é um princípio irrevogável. Ao garantir que todos os atos do poder estatal estejam respaldados pela lei, preservam-se a justiça, a equidade e a ordem social.

Se você está pronto para explorar os bastidores do planejamento governamental e desvendar os insights essenciais para construir um futuro mais transparente e eficiente, não perca tempo! Clique aqui e mergulhe em nosso e-book exclusivo “Plano de Governo: a tecnologia como aliada no cumprimento das metas”.

Artigo atualizado no dia 14/07/2026

COMPARTILHAR

Artigos Relacionados

Mais de

Preencha abaixo para baixar o artigo em PDF!