Como lidar com os desafios da preservação digital? 

Arquivos digitais. Foto que ilustra post sobre preservação digital. Reprodução: stokkete/Envato.
Descubra o que é preservação digital, seus desafios, marcos legais e estratégias para o setor público garantir a integridade de seus documentos.

A preservação digital é um tema cada vez mais relevante para o setor público, especialmente em um cenário de transformação digital e crescente produção de documentos eletrônicos.  

À medida que órgãos públicos adotam tecnologias para otimizar sua gestão e comunicação, surge a necessidade de garantir que os dados e documentos digitais sejam mantidos íntegros, acessíveis e compreensíveis ao longo do tempo. 

Neste artigo, vamos apresentar os principais conceitos e desafios da preservação digital, especialmente no contexto da administração pública. Além disso, traremos orientações baseadas em marcos legais, normas técnicas e boas práticas de gestão documental digital. Boa leitura! 

O que é preservação digital? 

A preservação digital consiste no conjunto de estratégias, ações e tecnologias voltadas a garantir o acesso contínuo e a integridade de documentos e informações digitais por longos períodos de tempo. 

Sem tempo para ler agora?

Baixe esta matéria em PDF!

Diferente do armazenamento simples, preservar digitalmente significa considerar aspectos como a evolução tecnológica, a deterioração de mídias físicas, a manutenção do significado original dos conteúdos e a sua autenticidade. 

É uma prática essencial não apenas para manter a memória institucional, mas também para assegurar a legalidade de documentos digitais, garantir o acesso à informação e cumprir a legislação arquivística vigente. 

Qual a importância da preservação digital no setor público? 

No setor público, a preservação digital tem papel central na manutenção da transparência, da responsabilidade administrativa e do direito à informação. Órgãos públicos produzem diariamente documentos e dados que precisam ser armazenados, acessados e recuperados por diversos prazos (alguns, por tempo indeterminado). 

A adoção de práticas de preservação digital possibilita que essas instituições cumpram exigências legais e evitem riscos relacionados à perda de dados, à obsolescência tecnológica ou à corrupção de arquivos. 

Além disso, permite que processos administrativos sejam mais ágeis, digitais e seguros, reduzindo a dependência de acervos físicos e otimizando recursos públicos. 

Quais são os principais desafios da preservação digital? 

Mesmo com avanços tecnológicos e maior conscientização sobre a importância do tema, a preservação digital ainda enfrenta obstáculos relevantes na sua implementação prática. Entre os principais desafios, destacam-se: 

1. Obsolescência tecnológica 

Softwares, formatos de arquivos e sistemas de armazenamento deixam de ser suportados com o tempo. Isso pode comprometer o acesso a documentos digitais caso não sejam adotadas estratégias de migração ou emulação. 

2. Degradação de mídias 

Não são apenas os documentos em papel que possuem uma limitação quanto à sua durabilidade. Mídias físicas como CDs, DVDs e discos rígidos têm vida útil limitada e estão sujeitas à deterioração, o que representa risco à integridade de dados armazenados exclusivamente nesses suportes. 

3. Integridade dos dados 

É necessário garantir que o conteúdo dos documentos digitais não sofra alterações ao longo do tempo. Para isso, mecanismos de verificação de integridade, como hash e assinaturas digitais, são essenciais. 

4. Complexidade dos objetos digitais 

Documentos digitais podem conter elementos interativos, metadados complexos e relações com outros arquivos. Essa complexidade demanda soluções específicas para preservar não apenas o conteúdo, mas também sua estrutura e contexto. 

O que dizem os instrumentos legais e normativos sobre a preservação digital? 

A preservação digital é tema regulamentado por legislações e normas técnicas que orientam as práticas de gestão documental no setor público. A seguir, destacam-se os principais marcos legais e normativos. 

Lei nº 8.159/1991 (Lei de Arquivos) 

Lei de Arquivos dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. Ela estabelece que os documentos de valor permanente devem ser preservados, independentemente do suporte em que foram produzidos.  

Ainda que não trate especificamente da preservação digital, a legislação reforça a obrigatoriedade de manutenção da integridade e acessibilidade desses documentos ao longo do tempo. 

Normas do CONARQ 

Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) possui uma série de resoluções que tratam da gestão e preservação de documentos digitais.  

Resolução nº 51/2023, por exemplo, estabelece diretrizes para a produção, gestão e preservação de documentos arquivísticos digitais, incluindo a necessidade de planos institucionais de preservação. 

Essas normas reforçam a responsabilidade dos órgãos públicos em adotar medidas técnicas e administrativas que assegurem a longevidade dos documentos digitais, com foco na autenticidade, integridade, confiabilidade e acessibilidade. 

modelo política de gestão de documentos

Decreto nº 10.278/2020 

Já o Decreto nº 10.278/2020 regulamenta os requisitos técnicos para que documentos físicos digitalizados produzam os mesmos efeitos legais dos documentos originais.  

Entre esses critérios estão a geração de metadados mínimos, a rastreabilidade e auditabilidade dos processos de digitalização e o uso de mecanismos que assegurem a integridade e autenticidade dos arquivos digitalizados.  

Embora o decreto não abarque todos os aspectos da preservação digital de longo prazo, ele complementa de forma importante o arcabouço necessário à gestão documental digital segura, inclusive admitindo, uma vez atendidos os requisitos, o descarte dos documentos físicos. 

Quais estratégias e métodos para aplicar a preservação digital? 

Para garantir a efetividade da preservação digital, é fundamental que as instituições públicas adotem estratégias estruturadas e métodos adequados. A seguir, destacamos algumas práticas recomendadas. 

Adoção de uma boa plataforma 

A escolha de um bom sistema de gestão pública a é um passo essencial. Plataformas de gestão documental que atendem às normas arquivísticas e oferecem funcionalidades como controle de acesso, auditoria e backup integrado contribuem diretamente para a preservação digital. 

Além disso, essas plataformas devem possibilitar a interoperabilidade com outros sistemas, o uso de metadados padronizados e a conformidade com os requisitos legais e técnicos definidos por órgãos reguladores. 

Migração e emulação 

A migração consiste na transferência de documentos para formatos mais atualizados e sustentáveis ao longo do tempo. Já a emulação tenta replicar o ambiente original necessário para acessar um documento antigo, mantendo sua funcionalidade original. 

Ambas as abordagens são utilizadas para enfrentar a obsolescência tecnológica e devem ser aplicadas com critérios técnicos rigorosos, garantindo a autenticidade e o significado original dos documentos. 

Planos de preservação digital institucional 

É recomendável que cada órgão público desenvolva e implemente seu próprio plano de preservação digital. Esse documento deve definir responsabilidades, objetivos, métodos, tecnologias envolvidas e ações preventivas para garantir a continuidade e confiabilidade do acervo digital da instituição. 

Os planos devem ser atualizados periodicamente, considerando as mudanças tecnológicas e organizacionais. Sua elaboração deve envolver setores responsáveis por TI, arquivo, jurídico e áreas finalísticas. 

Políticas de backup e redundância 

Uma política sólida de backup e redundância é indispensável para a preservação digital. Além de proteger contra falhas físicas, ciberataques ou perda de dados acidental, ela garante maior resiliência e recuperação rápida em situações emergenciais. 

Recomenda-se o uso de armazenamento em nuvem, que oferece maior escalabilidade, segurança e disponibilidade, reduzindo a dependência exclusiva de mídias físicas locais. Soluções em nuvem também facilitam a gestão de cópias redundantes em diferentes localizações, aumentando a segurança do acervo digital. 

Conclusão 

A preservação digital é um compromisso contínuo que exige atenção técnica, gestão estratégica e conformidade com normas legais. Para o setor público, essa prática representa um passo fundamental na consolidação da transformação digital e na oferta de serviços mais modernos, acessíveis e seguros à população. 

Mais do que uma ação técnica, preservar digitalmente é garantir que a memória institucional, os direitos do cidadão e os registros administrativos sejam mantidos vivos e acessíveis no futuro. 

Dê o próximo passo rumo à transformação digital na sua gestão arquivística. Acesse nosso e-book gratuito e descubra como implementar práticas mais eficientes, com documentos que já nascem digitais.  

COMPARTILHAR

Artigos Relacionados

Mais de

Preencha abaixo para baixar o artigo em PDF!