TIC na administração pública: saiba como se planejar para a digitalização

Uma pessoa está usando um smartphone enquanto digita em um laptop, em foto que ilustra post sobre TIC. Reprodução: donut3771/Envato.
Descubra como planejar a digitalização na administração pública utilizando TIC para modernizar seus serviços!

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estão cada vez mais presentes no setor público, transformando a maneira como as gestões municipais gerenciam seus serviços. 

A digitalização de processos não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente que está redefinindo o futuro da administração pública. Eficiência e inovação não são mais luxos, são necessidades da gestão pública moderna.

Neste artigo, vamos explorar como as TIC podem ser aplicadas na administração pública, além de destacar os principais passos para planejar sua implementação. Boa leitura!

O que são as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)?

TIC é a sigla para Tecnologias da Informação e Comunicação, um conjunto de recursos tecnológicos que incluem hardware, software e telecomunicações, usados para obter, processar, armazenar e disseminar informação, além de facilitar a comunicação e o acesso ao conhecimento.

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As TIC abrangem desde dispositivos como computadores e celulares até serviços como internet, e-mail e redes sociais, sendo aplicadas em diversos setores para otimizar processos, melhorar a tomada de decisões e a qualidade de vida.

No contexto da administração pública, as TIC podem incluir:: 

  • Sistemas: plataformas que automatizam a gestão de processos, tarefas e documentos em instituições públicas;
  • Portais de serviços públicos: plataformas online onde os cidadãos podem solicitar documentos, como certidões e alvarás, ou pagar taxas e impostos, sem a necessidade de ir presencialmente às repartições públicas.
  • Gestão de processos digitais: substituição de documentos em papel por sistemas digitais, permitindo o fluxo automatizado de aprovações, assinaturas eletrônicas e rastreamento de processos, como licitações ou aprovações de projetos.
  • ERP (Enterprise Resource Planning): sistemas de gestão integrada que facilitam a coordenação entre diferentes departamentos municipais, como finanças, saúde e educação, centralizando dados e processos.
  • Transparência e participação cidadã: plataformas que permitem aos cidadãos acompanhar gastos públicos, participar de consultas públicas e enviar reclamações diretamente à administração.
  • Comunicação interna eficiente: ferramentas de videoconferência, chats corporativos e compartilhamento de documentos, que agilizam a comunicação e a tomada de decisões dentro da prefeitura ou secretaria.

Essas aplicações das TIC tem como objetivo tornar a administração mais ágil, agilizando processos burocráticos e oferecendo um melhor serviço à população.

A importância das TIC no contexto da administração pública

As TIC oferecem múltiplas vantagens no contexto público, elas permitem a modernização dos processos e melhoram o atendimento ao cidadão. Veja algumas de suas principais contribuições:

Melhoria na eficiência dos serviços públicos

A digitalização dos serviços públicos, como sistemas online de atendimento e automação de processos, permite que as prefeituras e secretarias municipais operem de forma mais eficiente. 

Isso resulta em economia de tempo e recursos, além de reduzir erros e retrabalho, como pode ser observado com a gestão sem papel em diversas esferas públicas.

Aumento da transparência e participação cidadã

Com as TIC, os cidadãos têm mais acesso a informações públicas, o que aumenta a transparência e a confiança na administração. 

Além disso, a participação cidadã pode ser incentivada por meio de plataformas digitais que permitam o engajamento direto da população nos processos decisórios, como ocorre em sistemas de governança digital.

Facilitação na gestão de processos e documentos

O uso de tecnologias digitais também facilita a gestão de processos e documentos. Ferramentas como plataformas de digitalização de processos eliminam a necessidade de manipulação de documentos físicos, acelerando o trâmite de informações dentro das secretarias.

Somado a isso, torna as atividades públicas mais seguras e passíveis de auditoria garantindo maior transparência e facilitando o controle de conformidade com as regulamentações e leis vigentes.

Principais legislações relacionadas às TIC na administração pública

Para garantir a implementação correta das TIC, é importante que os gestores públicos estejam cientes das principais legislações e diretrizes vigentes no Brasil:

Marco Civil da Internet

O Marco Civil da Internet, Lei nº 12.965,  foi sancionado no Brasil em 23 de abril de 2014. Ele estabelece os direitos e deveres dos cidadãos e instituições no uso da internet no Brasil, incluindo diretrizes sobre privacidade, segurança e neutralidade de rede. 

Além disso, o Marco Civil da Internet define as responsabilidades dos provedores de internet em relação ao armazenamento de dados e garante a proteção da liberdade de expressão online, ao mesmo tempo em que assegura que a internet seja um ambiente seguro e acessível para todos os usuários.

Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

A LGPD, Lei nº 13.709, foi sancionada em 14 de agosto de 2018. Porém, entrou em vigor em 18 de setembro de 2020

A LGPD é uma das legislações mais importantes para a implementação de TIC na administração pública, pois define como os dados pessoais devem ser coletados, armazenados e protegidos, garantindo a privacidade dos cidadãos e o correto uso das informações.

Dessa forma, evita o uso indevido de dados pessoais, práticas abusivas de tratamento de informações, vazamentos de dados e a violação da privacidade dos indivíduos, estabelecendo penalidades para empresas e organizações que não cumprem suas normas

Normas e diretrizes para a digitalização de serviços públicos

Além das legislações, o Brasil possui normas específicas voltadas para serviços públicos digitais, que orientam as prefeituras na modernização de seus processos, garantindo eficiência e segurança no atendimento ao cidadão. 

Um exemplo é o Decreto nº 8.539/2015, que dispõe sobre o uso do meio eletrônico para a realização do processo administrativo no âmbito dos órgãos e entidades da administração pública federal. 

Esse decreto regulamenta a digitalização de documentos e a tramitação de processos eletrônicos, incentivando a gestão sem papel e promovendo maior eficiência, agilidade e segurança no tratamento de informações e documentos públicos.

Nova Instrução Normativa SGD nº 86/2025

Publicada pela Secretaria de Governo Digital (SGD) do Ministério da Gestão, a IN nº 86/2025 trouxe mudanças relevantes nas contratações de bens e serviços de TIC no âmbito do Executivo federal.

Entre os principais pontos:

  • Supervisão da SGD sobre contratações conjuntas realizadas pela Central de Compras e sobre atas de registro de preços que permitam adesão de órgãos não participantes (os chamados “caronas”).
  • Ampliação do escopo de análise prévia da SGD, que passa a incluir não apenas projetos acima de R$ 20 milhões, mas também atas de registro com adesões externas.
  • Tolerância de até 25% em ajustes de valores nos contratos, desde que não haja alteração do objeto. Acima desse limite, será necessária nova aprovação.
  • Reorganização da governança: substituição do Comitê de Compras e Contratos Centralizados (C4MGI) pelo Comitê de Compras e Contratações Estratégicas (C3E), responsável por projetos acima de R$ 75 milhões.
  • Exceção de autorização para contratações com empresas públicas de TIC, quando se enquadrarem no art. 74 da Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e Contratos).

Essa nova normativa busca equilibrar eficiência e controle, reduzindo entraves para inovações tecnológicas sem abrir mão da fiscalização. Ela passa a valer a partir de agosto de 2025 para processos iniciados após essa data.

Como se planejar para implementar TIC na administração pública

Agora que você conhece as principais vantagens e legislações das TIC, veja como planejar a sua implementação na administração pública:

1. Mapeie as necessidades e prioridades

O primeiro passo para adotar as TIC é mapear as principais necessidades da administração pública e identificar os serviços que podem ser digitalizados. 

Isso inclui a análise de processos manuais que podem ser automatizados e o levantamento das áreas que mais necessitam de modernização, como a eficiência operacional.

2. Desenvolva um plano estratégico de TIC

Com base no mapeamento, elabore um plano estratégico que contemple as etapas de implementação das TIC, priorizando os projetos que trarão maior impacto. 

Esse plano deve incluir metas, cronogramas e recursos necessários, além de prever a adequação às normas legais, como a LGPD.

Uma boa estratégia a elaboração de um Plano Diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação (PDTIC).

O PDTIC é um documento estratégico que orienta a gestão de tecnologia da informação e comunicação no âmbito governamental. Ele estabelece as diretrizes, metas e ações que a administração pública deve seguir para fazer uso eficiente dos recursos tecnológicos disponíveis.

3. Capacite os servidores e adeque a infraestrutura

A implementação das TIC exige que os servidores públicos estejam preparados para utilizar as novas ferramentas. 

Investir em capacitação é essencial para garantir a eficácia do processo, assim como adequar a infraestrutura tecnológica das prefeituras, como a aquisição de novos equipamentos e a modernização de sistemas.

4. Monitore e avalie continuamente os resultados

Por fim, é importante monitorar os resultados da implementação das TIC para garantir que as metas estão sendo atingidas e realizar ajustes quando necessário. 

Avaliar continuamente o desempenho das tecnologias adotadas e o impacto na eficiência da administração pública é essencial para o sucesso do projeto.

Conclusão

O uso das TIC deixou de ser uma opção e tornou-se indispensável para que a administração pública atenda às crescentes demandas da sociedade. Implementar essas tecnologias e manter-se atualizado sobre as legislações pertinentes agora é uma prioridade na agenda governamental.

Quem não se adaptar ficará para trás. Prefeitos, secretários e diretores precisam agir agora, traçando planos estratégicos para garantir uma gestão pública ágil, transparente e preparada para os desafios modernos.

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