Serviços essenciais: entenda quais são e quem deve oferecê-los 

Mulher em cadeira de rodas embarca em ônibus acessível com auxílio de outra pessoa, em foto que ilustra post sobre serviços essenciais. Reprodução: wirestock/Envato.
Entenda o que são serviços essenciais, como são definidos por lei e qual o papel dos municípios na prestação desses serviços à população.

Em situações de normalidade ou emergência, a continuidade de alguns serviços é indispensável para garantir o funcionamento da sociedade. Esses são os chamados serviços essenciais, cuja oferta deve ser mantida mesmo diante de greves, crises sanitárias ou calamidades públicas.  

No setor público, compreender o que são esses serviços e quem deve oferecê-los é fundamental para assegurar o bem-estar da população e o cumprimento das obrigações do Estado. 

Neste conteúdo, vamos explicar o que caracteriza os serviços essenciais, como são classificados, quais leis regulam sua oferta e qual é o papel dos municípios na prestação e fiscalização desses serviços. 

O que são serviços essenciais? 

Serviços essenciais são aqueles cuja interrupção compromete de forma imediata a saúde, a segurança ou a sobrevivência da população. Em outras palavras, são atividades indispensáveis ao atendimento das necessidades básicas dos cidadãos e à manutenção da ordem pública

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No contexto da administração pública, a identificação dos serviços essenciais é relevante não apenas para a manutenção da oferta à população, mas também para o planejamento de contingências e a atuação em períodos de crise.  

São serviços que devem permanecer ativos mesmo durante greves ou situações excepcionais, conforme previsto pela legislação. 

Como são classificados os serviços essenciais? 

A classificação dos serviços essenciais pode variar de acordo com o contexto jurídico e administrativo, mas geralmente são agrupados com base em sua natureza e impacto na coletividade.  

As categorias mais comuns incluem: 

  • Serviços de saúde, como atendimento hospitalar, urgência e emergência; 
  • Serviços de segurança pública, incluindo policiamento, bombeiros e defesa civil; 
  • Serviços de saneamento básico, como abastecimento de água e coleta de esgoto; 
  • Serviços de transporte público, essenciais para a mobilidade urbana
  • Serviços de limpeza urbana, como coleta de lixo e varrição; 
  • Serviços de educação em situações específicas, especialmente no ensino infantil e fundamental. 

Além dessas, outras atividades podem ser consideradas essenciais de acordo com o momento e a localidade, como manutenção de vias públicas ou operação de sistemas de tecnologia da informação. 

O que diz a legislação? 

No Brasil, a definição legal dos serviços essenciais é estabelecida principalmente pela Lei nº 7.783/1989, conhecida como Lei de Greve.  

Essa norma regulamenta o exercício do direito de greve no setor público e privado, estabelecendo que determinados serviços não podem ser interrompidos ou devem manter um percentual mínimo de funcionamento durante paralisações. 

Além disso, a Constituição Federal de 1988 impõe ao Estado a responsabilidade de garantir os direitos sociais, como saúde, educação, segurança e assistência, o que reforça o caráter essencial desses serviços.  

Em nível infraconstitucional, outras normas setoriais também tratam da essencialidade de determinados serviços, como a Lei nº 11.445/2007, que dispõe sobre o saneamento básico. 

Durante a pandemia de Covid-19, decretos federais e estaduais trouxeram novas listas de serviços temporariamente classificados como essenciais, como a atividade de telecomunicações e logística de insumos hospitalares, demonstrando que a definição pode ser adaptada conforme o cenário. 

Quais são os serviços públicos essenciais? 

Os serviços públicos essenciais são ofertados direta ou indiretamente pelo Estado e têm como objetivo garantir direitos fundamentais.  

A prestação pode ser feita por órgãos da administração direta, autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista ou por meio de concessões e parcerias com o setor privado. 

Entre os principais serviços públicos considerados essenciais estão: 

  • Atendimento hospitalar e ambulatorial pelo SUS
  • Segurança e policiamento ostensivo
  • Distribuição de água potável e tratamento de esgoto
  • Iluminação pública e coleta de resíduos sólidos
  • Transporte coletivo urbano e intermunicipal
  • Educação básica pública
  • Proteção civil e atendimento a desastres naturais

A prestação adequada desses serviços está diretamente ligada à efetivação de direitos constitucionais, como o direito à saúde, à educação e à moradia digna. 

Qual o papel dos municípios na prestação e regulação dos serviços essenciais? 

Os municípios possuem papel central na oferta e regulação dos serviços essenciais, especialmente aqueles voltados à população local.  

A Constituição Federal, em seu artigo 30, estabelece competências dos municípios, incluindo a prestação direta de serviços públicos de interesse local e a organização de atividades urbanas. 

Na prática, isso significa que cabe às prefeituras: 

  • Planejar e implementar políticas públicas que assegurem o funcionamento dos serviços essenciais; 
  • Fiscalizar a atuação de concessionárias e prestadores terceirizados; 
  • Garantir a continuidade dos serviços mesmo em situações emergenciais; 
  • Estabelecer normas locais para atendimento da população; 
  • Zelar pela eficiência e qualidade do atendimento à comunidade. 

Além disso, os municípios devem atuar em colaboração com os estados e a União, especialmente em temas como saúde, educação e assistência social, promovendo ações integradas e complementares para alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável e do bem comum. 

Conclusão 

A definição e manutenção dos serviços essenciais são pilares da administração pública e da garantia dos direitos básicos da população.  

Compreender seu alcance, base legal e responsabilidade pela oferta ajuda gestores públicos a planejarem melhor suas ações, prevenirem interrupções indevidas e melhorarem a entrega de serviços à sociedade. 

Nos municípios, esse desafio é ainda mais relevante, já que muitas das atribuições recaem sobre as prefeituras.  

Por isso, o conhecimento técnico e jurídico é fundamental para uma gestão eficiente, especialmente nas contratações e regulações que envolvem serviços essenciais. 

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