Preservação de documentos: como garantir acesso, integridade e digitalização 

Pessoa manuseando documentos físicos, em foto que ilustra post sobre preservação de documentos. Reprodução: rohaneh/Envato.
Entenda por que a preservação de documentos é essencial e confira práticas de conservação de documentos para órgãos públicos.

A preservação de documentos é uma prática essencial para garantir a continuidade administrativa, a transparência e a memória institucional dos órgãos públicos.  

No contexto da gestão pública, lidar adequadamente com os documentos significa manter a integridade das informações ao longo do tempo e assegurar que cidadãos e servidores tenham acesso a dados confiáveis quando necessário.  

Neste artigo, vamos detalhar os principais aspectos relacionados à conservação de documentos, sua importância e como implementá-la com o auxílio de um bom sistema de gestão pública. Boa leitura! 

O que é preservação de documentos? 

Preservação de documentos é o conjunto de ações destinadas a proteger os documentos físicos e digitais contra danos, deterioração e perda. Essa prática envolve cuidados com o ambiente de armazenamento, métodos de manuseio, controle de pragas e gestão da informação ao longo do seu ciclo de vida. 

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A digitalização também desempenha um papel central, envolvendo a migração de formatos, a atualização de suportes e a garantia de acesso contínuo às informações. 

No setor público, a conservação de documentos segue orientações legais e técnicas específicas. O objetivo é garantir que os registros sejam acessíveis, legíveis e autênticos durante o tempo necessário, de acordo com a sua classificação de temporalidade. 

Qual é a importância da preservação de documentos? 

A seguir, destacamos os principais motivos pelos quais a preservação de documentos deve fazer parte das rotinas de gestão documental nos órgãos públicos. 

Garantir a integridade e autenticidade das informações 

Preservar documentos é essencial para assegurar que os registros permaneçam íntegros, sem alterações ou perdas de conteúdo ao longo do tempo. Isso é importante tanto para a administração interna quanto para o atendimento a solicitações externas de informações. 

A autenticidade dos documentos públicos também depende da manutenção de suas características originais. Essa exigência se aplica tanto aos documentos físicos quanto aos digitais, que devem ser armazenados e gerenciados com o uso de sistemas de gestão de documentos que garantam controle de acesso e registros de alterações. 

Preservar a memória institucional e cultural 

Os documentos públicos são fontes primárias que retratam a história das instituições e da sociedade. A conservação de documentos permite que informações sobre decisões administrativas, políticas públicas e eventos históricos sejam preservadas para consultas futuras. 

Essa memória institucional tem valor histórico, social e cultural. Ela pode ser utilizada em pesquisas acadêmicas, investigações jornalísticas ou em processos de tomada de decisão que demandem o resgate de informações passadas. 

Cumprir requisitos legais e regulatórios 

A legislação brasileira exige que órgãos públicos mantenham a guarda e a integridade de seus documentos por prazos definidos em tabelas de temporalidade documental.  

Além disso, existem normas específicas que tratam da gestão de documentos, como a Lei do Arquivo, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. 

O não cumprimento dessas exigências pode resultar em sanções administrativas e jurídicas. Por isso, a preservação de documentos é uma obrigação legal que precisa ser gerenciada com responsabilidade. 

Facilitar a pesquisa e o acesso à informação 

A preservação adequada facilita a localização e o acesso rápido aos documentos sempre que houver necessidade. Isso é fundamental para atender a demandas internas, fiscalizações, auditorias e solicitações de acesso à informação feitas por cidadãos com base na Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). 

Quando os documentos estão bem conservados e organizados, os processos administrativos ganham em eficiência e os servidores conseguem atender melhor às demandas da população. 

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Que tipos de documentos precisam ser preservados nos órgãos públicos? 

Nos órgãos públicos, diversos tipos de documentos demandam preservação. Isso inclui documentos administrativos, financeiros, jurídicos e históricos. Entre os principais exemplos estão: 

  • Atas de reuniões; 
  • Memorandos
  • Ofícios
  • Circulares
  • Portarias
  • Processos administrativos; 
  • Contratos e convênios; 
  • Registros contábeis e orçamentários; 
  • Documentos de RH, como folhas de pagamento e registros funcionais; 
  • Projetos de obras públicas
  • Correspondências oficiais; 
  • Documentos históricos com valor permanente. 

Cada tipo de documento possui um prazo de guarda específico, definido de acordo com sua natureza e finalidade administrativa. 

Quais são os impactos da perda documental para a gestão e para o cidadão? 

A perda de documentos pode gerar uma série de consequências negativas para a gestão pública e para os cidadãos. Entre os principais impactos estão: 

  • Interrupção de serviços públicos por falta de informações essenciais; 
  • Dificuldades na prestação de contas e em processos de auditoria; 
  • Prejuízos financeiros decorrentes de multas, ações judiciais ou necessidade de refazer trabalhos administrativos; 
  • Comprometimento da memória institucional e da transparência administrativa; 
  • Insatisfação do cidadão devido à demora ou impossibilidade de atendimento de suas demandas. 

Por esses motivos, a preservação de documentos é uma responsabilidade que deve ser encarada com seriedade pelos gestores públicos. 

Como colocar a preservação de documentos em prática? 

Implementar ações de conservação de documentos envolve planejamento, capacitação de equipes e adoção de boas práticas. A seguir, destacamos algumas medidas importantes. 

Mapeie os tipos de documentos e suas funções 

O primeiro passo de uma boa gestão de documentos é identificar os tipos de documentos produzidos e recebidos pela instituição, compreendendo suas funções e prazos de guarda. Isso facilita o planejamento das ações de preservação e evita a perda de informações relevantes. 

Faça o armazenamento adequado 

Os documentos físicos devem ser armazenados em ambientes com temperatura e umidade controladas, protegidos de luz excessiva, poeira e agentes químicos. No caso dos documentos digitais, é necessário utilizar servidores ou serviços de armazenamento em nuvem com níveis adequados de segurança. 

Utilize materiais de acondicionamento 

A utilização de materiais apropriados, como caixas e pastas livres de ácido, ajuda a prolongar a vida útil dos documentos físicos em uma sala de arquivo. Esses materiais evitam a deterioração por contato com superfícies inadequadas. 

Faça o manuseio correto 

Durante o uso, os documentos devem ser manuseados com cuidado, utilizando luvas quando necessário e evitando dobras, rasgos ou marcações. O treinamento das equipes responsáveis é fundamental para reduzir danos acidentais. 

Mantenha uma rotina de limpeza regular 

A higienização periódica dos locais de armazenamento contribui para evitar o acúmulo de poeira e sujeiras que podem acelerar a degradação dos documentos. Também é importante manter um controle rigoroso de pragas e roedores, que representam riscos significativos para os arquivos. 

Classifique e organize os documentos por temporalidade 

A classificação de documentos, com base em tabelas de temporalidade, orienta sobre o prazo de guarda e a destinação final de cada tipo de documento. Isso permite que os documentos sejam organizados de forma eficiente e facilita o processo de identificação e recuperação das informações. 

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Digitalize documentos com respaldo legal e técnico 

A digitalização de documentos é uma estratégia que contribui para a preservação, reduzindo o manuseio dos originais físicos. Para que os documentos digitais tenham validade jurídica, é importante seguir as normas de digitalização documental, como as definidas pela Resolução nº 40/2014 do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). 

Utilize sistemas com controle de acesso e backup seguro 

A Gestão Eletrônica de Documentos (GED) é essencial em todo esse processo. Por isso, os documentos digitais devem ser armazenados em sistemas que permitam o controle de acesso, garantindo que apenas pessoas autorizadas possam visualizar ou editar os arquivos.  

Além disso, é fundamental manter cópias de segurança (backups) atualizadas, escolher formatos de arquivo duráveis e realizar a migração de dados quando necessário para evitar obsolescência tecnológica. 

Estabeleça políticas permanentes de gestão documental 

Por fim, é importante que os órgãos públicos desenvolvam políticas institucionais de gestão documental, com diretrizes claras sobre produção, armazenamento, conservação e destinação dos documentos.  

Essas políticas devem ser revisadas periodicamente para atender a eventuais mudanças legais e tecnológicas. 

Conclusão 

A preservação de documentos é um processo contínuo que envolve planejamento, recursos e a conscientização de toda a equipe da administração pública.  

Além de garantir a continuidade administrativa e o cumprimento das obrigações legais, a conservação de documentos fortalece a transparência e a eficiência na gestão pública. 

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